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“Madre Vitória da Encarnação” – por Dom Murilo Krieger

A 19 de julho de 1715 – portanto, há 300 anos –, falecia aqui em Salvador, com fama de santidade, Madre Vitória da Encarnação, monja clarissa do Convento Santa Clara do Desterro – o Convento feminino mais antigo do Brasil.

Cinco anos após o seu falecimento, o então Arcebispo de São Salvador da Bahia, Dom Sebastião Monteiro da Vide publicou, em Roma, uma biografia sobre ela: “História da Vida e Morte da Madre Soror Victoria da Encanação Religiosa Professa no Convento de Santa Clara do Desterro da Cidade da Bahia”. (Para lembrar a importância desse arcebispo, vale destacar que, em 1706, ele ordenou sacerdote o eremita Francisco da Soledade, fundador do Santuário do Senhor Bom Jesus da Lapa, visitado anualmente por mais de dois milhões de romeiros; em 1707, publicou as famosas “Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia”).

O pai de Vitória – o Capitão de Infantaria Bartolomeu Nabo Correia – desejou que sua filha se tornasse religiosa. A resposta dela foi clara e objetiva: preferiria que lhe fosse cortada a cabeça a tornar-se freira. Contudo, após algumas experiências místicas, ela decidiu por si mesma ingressar no Convento, acompanhada de uma de suas três irmãs. Ali passou a se destacar por uma vida pobre, casta e obediente; uma dedicação sem limites aos pobres que acorriam ao Convento; uma caridade que comovia as suas coirmãs. Nos dias que antecederam sua morte precisou ser levada para uma outra cela; não pôde morrer na que vivia, pois nela não havia mais nada: havia doado aos necessitados o estrado sobre o qual dormia e a manta que a cobria.

Nem sempre os santos e as santas podem ser imitados nas iniciativas concretas que tomam. Cada pessoa é única. No seguimento de Cristo, são diferentes as vocações sobre o modo de segui-lo; diferentes são, portanto, as graças que cada qual recebe para responder ao chamado de Deus. Cabe-nos imitar, sim, a orientação que esses nossos irmãos e irmãs dão à sua vida: procurar amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmos.

O amor que Madre Vitória tinha por Deus fez com que ela se dedicasse intensamente à oração, à penitência e à união a Jesus Cristo em sua Paixão. Como expressão de seu amor aos outros, vale destacar a dedicação que dispensava às religiosas de seu Convento acometidas por varíola. Não havendo mais perspectivas de cura, o médico que as atendia recomendou que as doentes fossem mandadas para fora do convento, a fim de se evitar contágio. Madre Vitória convenceu as demais religiosas a deixá-las ali, assumindo o compromisso de cuidar delas e transformou sua cela numa enfermaria. Com seus cuidados e suas orações, obteve a cura das três doentes.

Não podendo sair do Convento, ao tomar conhecimento da existência de algum necessitado na cidade, pedia a seus familiares que o acudissem. Humilde e desapegada dos bens materiais, suportava tudo com paciência e coragem. Considerava-se a religiosa menos importante de seu Convento e procurava ser a servidora de todas.

Suas experiências místicas e seu amor às almas do purgatório, sua devoção a São Miguel Arcanjo e suas penitências contínuas fizeram de Madre Vitória, sem que ela o desejasse, um modelo que atraía as demais religiosas à santidade. Pouco antes de morrer, pediu às suas coirmãs que fosse enterrada sem caixão e usando o hábito religioso de outra, pois não queria levar consigo nada que tivesse sido seu aqui na terra. Ao espalhar-se a notícia de seu falecimento, multidões se dirigiram ao Convento Santa Clara do Desterro. Para muitos, ali estava “A santa da Bahia”. No terceiro centenário de seu falecimento, a cidade de Salvador rende graças a Deus por ter-lhe dado uma filha tão santa e tão ilustre.

Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil

Fonte: Portal da Arquidiocese de Salvador 

1 Comentário

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  • A foto NAO é a da Madre Vitoria da Encarnacao pois o habito usado por ela era de clarissa. Confiram as imagens oficiais dela. O Quadro do Convento do Desterro e as figuras da Página dela no Facebook.
    Paz e bem!

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